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SPOT! - DROGARIA CENTRAL LOJA DE DISCOS

André Araújo

Atualizado: 7 de fev.

Rua Capitão Leitão 14B, Almada

Horário:

Quarta e Quinta

14:00 - 20:00

Sexta e Sábado

14:00 - 22:00

Domingo

14:00 - 20:00


Localizada ao pé da histórica Incrível Almadense, esta pequena loja de discos, gerida por Cristina Morais, conta com um ambiente leve e confortável, contribuição da decoração clássica e da pequena, porém aberta área do interior da loja.


Descobri esta loja através de um amigo que, numa saída ao final da tarde, decidiu levar-me lá.

Na altura, tinha começado a produzir, de forma amadora, sons de hip hop com o uso de samples, o que me levou a descobrir quão pouco eu realmente conhecia do expansivo e profundo mundo da música.

Com esta intriga provocada por um mundo desconhecido, decidi começar o hobby de colecionar discos com o objetivo de explorar música com a qual em raras circunstâncias me cruzaria e muito menos prestaria qualquer atenção.

Como qualquer bom Almadense, a conversa e conexão com o cliente é mais que essencial, é natural, e foi esta receção enérgica e cheia de vida que fez de mim um cliente regular.


Para esta edição, conseguimos entrevistar Cristina Morais, a qual se encontra quase sempre atrás do balcão a receber os clientes, tratar das encomendas online e da gerência da loja.

Acompanhem-nos então, enquanto descobrimos mais sobre a loja e as suas origens!


As origens

Oficialmente, a loja abriria a 5 de julho de 2018, mas a ideia já perdurava na cabeça de Sérgio e Cristina durante a adolescência antes mesmo de se conhecerem.

Em 2009, os dois abririam o Ponto Zurca, um estúdio de gravação, editora e produtora que cobre as áreas da música, cinema, teatro e espetáculo, oferecendo também serviços como marketing, logística e gestão de álbuns, entre outros.

Um pequeno quiosque onde se vendiam os álbuns produzidos servia de vislumbre para o futuro projeto que seria a loja.

Após cerca de 6 anos de atividade, decidiram levar em frente este projeto, comprando um estabelecimento para expandir o pequeno quiosque a uma verdadeira loja focada na venda de discos.


“Porquê a Drogaria Central?”

Quando encontraram a Drogaria Central, na altura desocupada, os dois tomaram um enorme gosto pela identidade visual original e, embora a ideia de mudar de lugar pairasse pelo ar, acabaram por se apegar ao local, passando por um processo de adaptação dos dois lados.


A batalha

Quando Sérgio e Cristina compraram o estabelecimento, este encontrava-se quase em ruínas, com exceção das arcadas e das paredes que ainda se mantinham em pé.

Conta Cristina que uma das paredes quase se desfez, pois era feita de terra, e que muita da mobília teve de ser construída à medida, de modo a adaptar-se ao espaço e a servir para o armazenamento e exposição de discos.

Por estas e outras razões, a abertura da loja demoraria por volta de 2 anos a tornar-se realidade, após muitas obras, limpezas e remodelações.

Mesmo assim após a abertura oficial da loja, esta sofreria muitas remodelações e obras até chegar ao visual que é conhecida por hoje.


Abertura

Abertas as portas em 2018, a loja viria a crescer além de Almada, ganhando algum reconhecimento na área da Grande Lisboa, o que levaria a um crescimento gradual da clientela.

Um dos primeiros artigos feitos sobre a loja seria redigido pelo jornalista Nuno Galopim, para a página Gira-discos, que veio a descobrir a loja ainda antes desta abrir durante as filmagens do cantor António Manuel Ribeiro dos UHF na Cine Incrível.

As fotografias do artigo foram tiradas então durante o período de montagem da loja, ficando a memória de uma espécie de bastidores da loja.

Em comparação com outras lojas, podem não parecer muito ativos nas redes sociais, apesar de estarem presentes em inúmeros eventos e espetáculos em Almada.

Isto acontece porque não têm o hábito de tirar muitas fotografias com os artistas, preferindo republicar as fotos tiradas pelos mesmos apenas se tiverem permissão.


Mesmo com a abertura da loja, continuaram atividade no Ponto Zurca.


De acordo com Cristina, que conhece outras lojas, os donos destes estabelecimentos têm sempre também um negócio à parte, ligado ou não ao mundo da música, para ajudar a cobrir as despesas.

Afinal, estas lojas de discos continuam a ser “um nicho dentro de um nicho”.


“Como é que foram afetados pela pandemia?”

Em 2020, a loja teve de fechar devido à pandemia , o que foi muito mau pois a loja só tinha um ano e meio na altura e pouca clientela.

O Ponto Zurca esteve também num longo período de inatividade causado pela falta de concertos e espetáculos ao vivo e claro, sessões de gravação.

Viram-se então numa situação de constante poupança e contabilidade incertas todos os meses. Nesse tempo, continuaram a vender discos por encomendas online através das redes sociais, e procurar ainda continuar a realizar sessões de gravação e edição de álbuns dentro dos meios possíveis.

Atualmente, finda a pandemia, já pensam em voltar a tirar férias e fins de semana, algo que não foi possível durante o período pós pandemia.



O visual é agradável, sereno, vivo, e como Cristina descreve: “Circunstancial”


Bom design decorativo não surge apenas como consequência de encontrar um sítio bonito, neste caso como ouvimos antes, a loja estava em ruínas, mas mesmo depois de um arranjo ainda só restam paredes brancas e as prateleiras com o seu destaque bordô- ainda havia trabalho a ser feito.

Como foi planeada então a decoração da loja?

De acordo com Cristina, não foi.


“Se tivéssemos aberto a loja só depois de termos pensado nisso tudo, só tínhamos aberto à um mês”


Sendo que decidiram manter os elementos arquitetónicos da antiga drogaria, as prateleiras embutidas na parede com as suas arcadas e pilares escarlate ficaram. A partir daí, os dois construíram gavetas à medida para os discos, equipadas com rodas de forma a deslizar por baixo das prateleiras e expositores, cujos suportes são pernas de máquinas de costura, ideia fruto do amor de Cristina por costura.


A adicionar cor natural ao ambiente estão também algumas plantas a decorar as montras e o interior. Grande parte da cor da loja é resultante dos discos em exposição, os livros e fanzines nas prateleiras, os posters de concertos passados, algumas peças de vestuário, e a ocasional capulana.


A não esquecer, é o letreiro luminoso no exterior; uma tarola com o logótipo da loja,

sendo esta só uma das várias peças de mobília feitas através de instrumentos e

outros objetos não convencionais, em momentos de inspiração súbita.

De uma forma ou outra, tudo é ligado à música.


Expectativas para o futuro?

"Continuar a existir e manter a Ponto Zurca, que é a nossa vida.

Que consigamos acolher mais trabalho dos locais, tanto na música como nas outras artes.

Que continuemos em Almada, nós vivemos aqui, e estamos cá à muito tempo.

Já trabalhamos à muito com a casa da cerca por exemplo, que continue."


Sigam a loja no Instagram: @drogarialojacentraldediscos


Texto e Edição: André Araújo Fotografia: João Melo Revisão Textual: Sérgio Araújo

Originalmente publicado em Dangan Magazine #1 2024



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